É constante escutarmos, nos meios de informações, diversos comportamentos que são necessários para proteger-nos do novo coronavírus, dentre eles, a higiene das mãos e das superfícies de maior contato, o isolamento social, tornar as rotinas de sono e alimentação mais saudáveis, além da proposta de exercícios físicos caseiros. Para a saúde mental, temos uma série de necessidades, como a observação da frequência e qualidade dos conteúdos que acessamos; atividades de leitura; conversas em grupo (via Internet), além do convívio familiar com regras específicas ao nosso momento pandêmico.

Diante desse cenário, as pessoas se cobram mais e tentam produzir ou realizar algo, como se estivessem paradas, o que pode gerar angústia, ansiedade, medo e um sentimento de insuficiência. Como uma forma de enfrentar esses sentimentos causados pelo isolamento social; apresento um estudo que propõe às pessoas utilizarem a automonitoria.  Nos estudos do comportamento humano, estabeleceram-se alguns comportamentos necessários para as relações sociais, entre eles a automonitoria.

Para entendê-la, primeiro, vamos entender as habilidades sociais. Elas são classes de comportamentos que os indivíduos apresentam em seu repertório para lidar com as demandas das situações interpessoais; como saber a hora de iniciar ou terminar uma conversa; saber a hora de dizer não ou de realizar um favor; conhecer os limites de convivência do seu colega e, ainda, planejar atividades em grupo. Estudos mostram que ser socialmente habilidoso, contribui significativamente para o grupo, com impactos como: consequências reforçadoras para comportamentos interpessoais; o aumento da probabilidade de um comportamento mais saudável ocorrer; a diminuição de consequências como doenças e/ou enfermidades; e o aumento da probabilidade de comportamentos mais produtivos no trabalho e em tarefas cotidianas.

Mas o que é a automonitoria? Ela é uma habilidade social base para qualquer desempenho coletivo. É a habilidade de observar, descrever, interpretar e regular os próprios comportamentos, como o excesso de pensamentos relacionados à pandemia ou os momentos em que se sente frustrado frente a mudanças da rotina.

Além disso, pode-se pensar na automonitoria como uma das maiores aliadas ao combate da COVID-19. A automonitoria é importantíssima para a aquisição de novos hábitos e a implantação de um isolamento social saudável e objetivo.  A parte mais importante ainda, é que as habilidades sociais podem ser aprendidas, quer dizer, elas podem ser treinadas.

Assim, sugere-se praticá-la observando as situações sociais que lhe estão incomodando e listando-as, sempre identificando as pessoas envolvidas, as situações, o que você está sentindo e encontrando uma forma de comunicá-la aos demais.  Caso sinta muita dificuldade, o ideal é buscar um atendimento de psicoterapia e essa pode ser de modo online.

 

Gabriele Serur
Psicóloga Clínica CRP 08/30361
Mestranda no PPGTS - PUCPR

 

Informações e filmagem por: Gabriele Serur

Voz em Língua Portuguesa: Luana Arrial Bastos

Diretor e editor de filmagem: Alexsander Pimentel

Tradutor intérprete Libras: Alexsander Pimentel

Revisora de textos e apoio (Filmagens em Libras): Luana Arrial Bastos

 

Referências

DEL PRETTE, Z.A.P. & DEL PRETTE, A. Psicologia das Habilidades Sociais: Terapia e Educação. 4ed. Petrópolis: Vozes. 2006.

DEL PRETTE, A. & DEL PRETTE, Z.A.P. Habilidades sociais, desenvolvimento e aprendizagem: questões conceituais, avaliação e intervenção. Campinas: Alínea. 2003.

DEL PRETTE, A. & DEL PRETTE, Z.A.P. Psicologia das relações interpessoais e habilidades sociais: vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis: Vozes. 2001.