Olá. Sou Gabriele Serur, psicóloga, e falarei um pouco sobre a ansiedade no período da pandemia, principalmente, a ansiedade das pessoas surdas nesse contexto.

Vale ressaltar que a ansiedade é natural ao ser humano. Se você é humano, você tem esta resposta em seu organismo. É caracterizada por uma reação necessária a uma situação de perigo ou ameaça. O corpo tem sintomas como taquicardia, sudorese, tremores e alterações na respiração. Junto com essas sensações físicas, as pessoas sentem medo e/ou estresse. Essas mudanças ocorrem como uma resposta evolutiva de proteção em relação a uma possível ameaça externa. Torna-se um problema para as pessoas quando isso acontece com frequência e sem que haja uma situação que seria perigosa ou ameaçadora, por exemplo, sentir esses sintomas quando você vai buscar comida na cozinha de casa.

As pessoas surdas enfrentam barreiras diárias na sua comunicação. Ser compreendido por outra pessoa ou compreender as informações que vêm de várias direções diferentes são um grande desafio para essas pessoas. Isso pode trazer impactos significativos na sua saúde mental.

A tendência, atualmente, é que tenham mais momentos de ansiedade, principalmente pela dificuldade de receber e transmitir informações. Somado aos sentimentos de solidão e frustração decorrentes do isolamento social. A pandemia pode desestruturar as redes de apoio, como escola, trabalho e convívio com os amigos, agravando a ansiedade. Além disso, empobrece a interação familiar, pois a família pode não estar preparada para comunicar-se com os surdos.

As limitações que os surdos têm no acesso às informações podem aumentar esses sintomas. Não entendendo o que está acontecendo, por exemplo, na economia e na sociedade, informações de saúde, aumentam a insegurança e incertezas do momento atual. Isso pode até impedir que essas pessoas recebam informações necessárias à prevenção, ficando mais vulneráveis ao vírus.

Por este motivo, as informações devem ser claras e eficazes para reduzir as preocupações em face das mudanças que nossa sociedade está passando, além de aumentar a adesão aos comportamentos preventivos. Se a pessoa tiver dois ou mais sintomas físicos de ansiedade, inquietação e isolamento em relação à família é essencial que essa seja encaminhada para investigar aspectos de sua saúde mental.

 

Gabriele Serur
Psicóloga Clínica CRP 08/30361
Mestranda do PPGTS

Tradução para Libras e Edição do Vídeo
Alexsander Pimentel
Doutorando do PPGTS - PUCPR

Voz em Língua Portuguesa e
Apoio Filmagens em Libras
Luana Arrial Bastos
Mestranda do PPGTS - PUCPR